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19 agosto 2016

Lábios do Diabo

Eu nunca beijei os lábios do diabo,
Mas até entendo o frisson de quem já o fez.
Aqueles olhares de penitência
Enxergam os pecados de muitas vidas
Quando me envolve em seus braços
Sinto-me enfraquecida
Todo meu potencial se esvai
Todos os planos falham
Observo detalhadamente cada canto com a possibilidade de uma rota de fuga
Com apenas um toque sou imobilizada
Um leve carinho nas maças do rosto
E pode perceber o inicio de minha perda de consciência
As palavras que saim de sua boca
O doce som de melancolia
Teu aroma metálico
Tua energia propagada em meus nervos
Fica difícil respirar
É a sensação de cair e ser condenada a nunca mais subir novamente ao pódio
Acensão se torna fantasia
Mas aquele beijo é algo que não esqueço
Algo que sugou vitalidade
Algo que condenou
Diferente de todos que já experimentei
Aqueles lábios eram incomuns
Irreverentes
Instigantes
Inebriantes
Intrometidos
Inconvenientes
Independentes
Talvez aqueles fossem de um anjo
e eu fosse o diabo.

01 maio 2016

As portas que se fecham se abrem em outro lugar.

Disse boa noite e mergulhei na utopia. Tornou-se frequente essa busca. Esse meu hábito de viver intensamente no sonho e desmazeladamente na realidade. Fui pega pela rede dos devaneios e nenhuma terapia de superfície é capaz de me tirar desse transe. A produção de serotonina cessa a cada dia, coisas simples se tornam doloridas e nossa única certeza é da morte, a disfunção de todos órgãos e tecidos, biologicamente detalhada e humanamente romantizada. Se a morte for o último andar o tempo é nosso elevador. Passageiros entram, saem, alguns te dão sorrisos, outros te dão as costas, e poucos permanecem no final. As vezes lotam, as vezes vai vazio. Com amigos o percurso se torna mais rápido, e você não sabe como deve se despedir deles. 
Chegamos na fase em que procuramos atalhos pra cortar caminhos, será que há um jeito de cortar o caminho desse elevador? Alias, nós não sabemos o que vai haver do outro lado quando nosso andar chegar e as portas se abrirem. Qual a expectativa? Se vou descer sozinho ou se vou acompanhada, se alguém vai entrar na minha frente ou se vão abrir caminho. 
Disse boa noite, apaguei as luzes, tirei o telefone do gancho e fui dançar com o diabo aquela noite. Cheguei em meu andar. 



21 abril 2016

Fly over me, evil angel

Todo esse tempo acreditei estar no limbo do fundo do poço, mas foi quando eu te perdi que soube, sempre houve uma luz lá de cima, ela se foi depois de ti. Foi aí que descobri o quão fundo eu havia mergulhado quando te perdi. Me fez jurar naquela noite que eu iria continuar forte, viver a vida e não deixar ninguém me dizer como fazê-la. Irônico, já que você era quem me mantinha viva, quem me tirou da bruta existência e me fez viver de verdade. 
Me diga agora em quê devo acreditar se não me sinto mais viva, mas ainda sou capaz de sangrar. Até refaço nossos passos na estupida esperança de lhe encontrar e acordar deste pesadelo fúnebre. Meus motivos todos incluíam você, agora busco desculpas para evitar todos eles.
Quem vai me abraçar nas noites de chuva ou me receber com um sorriso de certezas que põe fim em todas minhas dúvida, me dizer que nenhum problema é tão grande quanto o tamanho do céu? E sabe o clichê "viva cada dia como se fosse o último",  naquela noite de outubro foi seu último. Na verdade o meu também, mas a diferença é que só o me coração continua pulsando para sobreviver, para manter o que restou da matéria em partes tocável, das sugestões que se foram junto contigo.
Nunca lhe disse adeus, e como não sei quando nos veremos novamente, então por hora  me resta dizer, durma bem meu anjo.    

18 abril 2016

Qual ponto é o ponto final?

Quando chega o ponto em que você sente um caminho vazio que vai da tua boca ao coração e você tenta preencher com a primeira droga que vê pela frente, seja com a fumaça de um cigarro, com o gole de uma bebida ou com meias palavras de um qualquer. Quando eu chego ao ponto de não me importar com o que eu mais me importava e nem se quer me assustar com idéias sabotadoras que surgem. Quando eu perdi a convicção que eu tinha antes. Amadurecimento junto ao rebelamento ou cansaço e empatia? Quando eu deixei de ser quem eu quis me tornar? Por que ficou tão fácil desistir de si próprio? Eu não consegui acompanhar o tempo ou ele simplesmente parou só para mim? Talvez eu tenha deixado minha coragem de baixo da cama, junto com os antigos monstros que me assombravam nas gélidas noites em que um abraço de mãe não era capaz de tampar os buracos semeados na minha mente, regadas por palavras diariamente ditas de quem nunca teve moral nenhuma. Acabaram apertando tanto o local ferido ao invés de deixa-lo respirar, talvez eu estivesse melhor se não fosse isso e ponto.



11 abril 2016

A outra face no espelho e a entidade


Não, você não sabe o que é se olhar contra o espelho e não se enxergar, ou só absorver uma imagem distorcida do que restou das guerras vencidas contra você mesmo.
Olheiras acentuadas, bolsas que antes não estavam lá, parece até que seu rosto está maior. Os olhos perderam seu brilho natural, agora o que brilha é a lágrima que se recusa a cair na frente dos outros sobreviventes. Aí você se deita, é levada pela idealização da felicidade, onde esta lhe busca e proclama: "segure minha mão, temos um plano. Prometo não desistir de você se você não desistir de mim." É real, é bem real, e amortece os demônios da sanidade.
O sinal toca e somos obrigados a nos despedir, por hora, mas prometo voltar o mais rápido possível, e de fato a conexão não se quebra, não passa um segundo sem que minha mente esteja procurando meios de voltar para seus braços, mas infelizmente devo me manter acordada devido as circunstâncias. 
Não demora a se tornar meu único objetivo do dia ser buscada pela entidade que preenche minhas lacunas, minhas tatuagens vazadas, os espaços entre meus dedos, unimos nossos lábios e me entrego a ela. Sou prisioneira da minha felicidade projetada na insanidade. E não estou disposta a abandonar meu anjo caído.




26 novembro 2015

Fumaça, utopia e um pedido de desculpas



Enxergo fumaça ao redor das pessoas. Minhas pálpebras ganham peso e não se levantam, meus olhos cansaram de funcionar e sinto falhas no diafragma. Meu dorso em decúbito à espera de um anjo, eu não entendo mais nada. Desde quando desisti? Sofrimento e lágrimas ao meu redor. Ao mesmo tempo que procuro culpados são todos "inocentes". Ah, que saudade do tempo de amar.
Eu apenas desejo deitar-me sem a necessidade de me levantar quando o sol nascer. E se um dia descobrissem esses meus devaneios, rezo para que não interpretem como loucura.
Alguns conseguem ter essa visão de mundo nu e grotesco e o quão inútil  é existir e só. E se discorda, triunfas! Deleite ao máximo esta falha de percepção que "ganhaste" de mundo.

31 agosto 2014

Últimas tentativas para acertar no futuro

Já parou pra pensar em quantos planos de vida você fez até hoje? O quanto você mudou de direção ou o quão você deseja uma coisa que pensa nela todos os dias?
Tem dias que eu penso que nunca vou conseguir comprar um apartamento sozinha, aluguel, contas, mercado.... Outros dias eu acordo me achando uma Carrie Bradshaw e sei que vou ter uma coleção de sapatos de dar inveja a Paris Hilton.

Agora um adolescente de 17 anos sabe o que quer? Não, na maioria das vezes ou pensamos demais em algo que pode não ser o que realmente importa lá na frente, ou nem nos atrevemos pensar e deixar  pra decidir no último instante. Tem coisa que realmente me dá medo em pensar como contar aos meus pais que assim que completar meus 18 vou morar com uma amiga e vamos dividir aluguel; contar a minha mãe o que realmente aconteceu na festa de aniversário do Math, dizer pra minha amiga que o namorado dela está traindo ela ou que ele só está usando ela, e o principal que mais me dá medo: como provar ao mundo o que eu vim fazer aqui?

Recentemente me inscrevi em tudo quanto foi vestibular, e só entre nós, estou com medo. Acordo e logo me vem aquelas dúvidas: "daqui 15 anos vou acordar e o que vou fazer depois?" "Será que essa foi a escolha certa?" "Como será meu cabelo daqui alguns anos?" "Eu vou ter uma boa estabilidade financeira para me manter?" "Será que foi bom eu ir ter ido morar com minha amiga alguns anos" "Solteira, namorando ou noiva?" "Será que eu tô fazendo o que realmente quero fazer?"

Pra ser sincera eu já sei o que quero fazer da vida, trabalhar numa área em que eu consiga ajudar as pessoas e me sentir bem com isso, não quero ter que me preocupar com as contas no fim do mês e ainda sim quero aproveitar os meus fins de semana fazendo o que der na telha.
De uma coisa é certa, nesse mio do cominho pro sucesso, você vai parar pensar e avaliar e com absoluta certeza vai dizer que não está dando certo, que você estava errado, é uma perca de tempo e nunca vai funcionar. É nessa hora que algo vai encontra você e provar que está mais do que no caminho certo, está chegando perto das certezas, as repostas pra todas aquelas dúvidas quando adolescente, pra dizer quem é você.

Nos próximos 4 ou 5 anos vai ser difícil fazer o que der na telha, mas espero que o fim seja bem recompensador, espero que ter morado 18 anos com meus pais tenha me ensinado a importância da união e solidariedade entre as pessoas, que morar com a minha amiga tenha me tornado mais independente, que meu cabelo não tenha sofrido tanto com as químicas que eu fiz/farei, que eu entenda porque não deu certo com nenhum garoto até antes e que, por fim, que eu tenha provado pra mim mesma o que eu realmente vim fazer no mundo: espalhar felicidade.

09 agosto 2014

Os 17 e os "MAS..."

E foi assim, acabei de completar 17 anos e no dia seguinte, assim que abri os olhos, meu primeiro pensamento aleatório foi: "O que estou fazendo com a minha vida?" Será que estou onde deveria estar ou cometi alguma loucura que vai me levar pra outro destino, mas o que eu acho mesmo é que não estou aproveitando tudo isso. Não fui a um show internacional, não pichei um muro, não fingi que ia dormir na casa de uma amiga e fui pra uma festa virar o caneco, não pintei meu cabelo de azul, não fui até outra cidade de carro sozinha ou com os amigos... Mas eu fui em uma montanha russa e fiquei no carrinho da frente, tirei 10 em algumas provas, passei pela geometria e suas terríveis fórmulas de área e volume, cantei até minha voz falhar, cometi deslizes como todo adolescente, fui magoada por quem eu menos esperava, mudei meu estilo mais de mil vezes, vi vários filmes do Harry Potter em sequência, alimentei cachorros abandonados - inclusive procuro quem adote um cãozinho - nunca me iludi com a paixão, mas já quebraram minhas esperanças mais de mil vezes.
Acho que é assim, as coisas sempre vão acontecer naturalmente, não tive meu primeiro emprego no colegial, mas uma hora vou ter meu estágio da faculdade; não tive meu primeiro amor, mas tive o amor de infância que dura no máximo uma semana; não tive noites em claro sorrindo pensando em uma pessoa, mas já passei noites debruçada nos livros e sorrindo assim que acabo a prova. Tudo uma hora vai acontecer, imagino que se eu tivesse me adiantado hoje não seria assim, eu poderia estar numa festa, como poderia estar numa delegacia, como poderia estar trabalhando, como poderia estar dormindo, como poderia estar infeliz...
mas não estou. 

Gabriela Oliveira